quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

‘Assobiar em público’

Este é o nome do livro, do conhecido autor Jacinto Lucas Pires, que foi apresentado recentemente na Biblioteca Municipal de Gondomar. A obra, uma antologia de contos, dá a conhecer textos do escritor recolhidos de outros livros e de revistas ou livros de circulação mais restrita.
O vereador do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Gondomar, Fernando Paulo, acompanhou Jacinto Lucas Pires nesta sessão de apresentação (seguida de uma breve sessão de autógrafos). Admitindo que “é muito mais difícil falar do que escrever”, Jacinto Lucas Pires destacou que “escrever é falar de nós sem falar.” O autor nasceu no Porto, em Julho de 1974. Vive actualmente em Lisboa.
Já publicou livros para/de teatro, ficção e ainda vários textos em publicações e revistas. Filho do advogado e dirigente político Francisco Lucas Pires, a sua carreira passa também pelo cinema, como argumentista, e pela música (sendo membro da banda ‘Os Quais’).
Em Novembro de 2008, Jacinto Lucas Pires foi o vencedor do Prémio Europa, atribuído pela Universidade de Bari e pelo Instituto Camões. Na opinião do vereador Fernando Paulo, Jacinto Lucas Pires é “um dos bons exemplos de uma nova geração de escritores que se tem afirmado em Portugal.”

Movimentos Cuidadosos


Levanto-me. E na verticalidade do gesto intencionado, percorro toda a extensão da sala até ao telefone escuro que toca, em cima da madeira esburacada pelo tempo. O ambiente está embrulhado numa escuridão tépida e amena. “Tou, quem fala?”, do outro lado indefinido, um barulho de tempestade fura o meu ouvido, como um martelo pneumático, mas, em menos de um segundo, uma voz troveja, “Então pá, é o Zé da Tina”, “Oh, grande amigo!”, “Olha, será que posso ir a tua casa? Preciso de falar contigo a sós. Sabes como é, estas estórias das escutas…” Sorrio pelo movimento cuidadoso do Zé. “Sim, claro que podes.”
Pouso o telefone e faço o movimento do caranguejo até me sentar na poltrona de veludo. Acendo um cigarro, numa calma exagerada. Fumo-o, com o olhar preso ao mar arrogante. E de repente uma ideia cuidadosa invade-me as pálpebras, “Será que colocaram algum microfone na roupa dele?”

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Bom Carnaval


A festa carnavalesca surgiu a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma.

Sem Sentimento


Os movimentos do amor circularam ontem no ar. E sentia-se esse cheiro em qualquer compartimento, em qualquer nuvem pintada de negro.
Ontem as flores voaram para o regaço brilhante de um ser que estremecia por qualquer lufada menos sentida, menos apaixonada.
Ontem, ao jantar, num restaurante perto da minha porta de saída, que por vezes entro, que por vezes ladeio, encostado ao balcão, acompanhado por um copo vazio, observei as falsidades dos gestos ou o silêncio mais rico. Para tal, ele conversava com o bife e ela com as batatas fritas, com a vela a consumir-se, ali ao pé.
Ontem foi mais um dia que passou, como um dia para o outro, como qualquer outro, sem a intensidade de consolidar uma relação por palavras, afim de o orientar para as margens da ilha chamada felicidade. Ontem foi mais um dia que não houve significado, mais um dia sem sentido porque o amor, nos dias que correm, é apenas sentido como uma tentativa fugaz de prazer, sem sentimento para explorar os caminhos da batalha, sem sentimento para abraçar o sacrifício e a dor.
Todavia, por estas terras, há sempre algumas excepções. Será?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A Máquina de Fazer Espanhóis



Realizou-se ontem, na Biblioteca Almeida Garrett, Porto ...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Uma Vez Mais


As minhas amigas chegam sempre atrasadas. Eu chego sempre adiantada. Mas a minha espera nunca envolve o desespero nem o aborrecimento de as transformar em galdérias, no interior do meu pensamento.
Peço um café ao bonito empregado, que me toca no meu desprendimento à vida, com um leve toque no meu braço. E assim que desaparece do meu olhar, na sua vez, as minhas amigas surgem a borrifar sorrisos, excepto a Rosa do Manel.
“Então meninas, estou a ver que o pincel retocou-vos os rostos”, “A mim não. O carvalho do meu marido engravidou-me. Lá vou eu ter que fazer um novo aborto”, “Ai doida, aproveita para o ter, pelo menos, desta vez”, dissemos em uníssono.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O Impensável Vem Depois De Amanhã


Começo a não entender as palavras, os gritos, a eloquência da tua vida sem sentido: começo a não entender porque rejeitas as ofertas de trabalho que te arranjo, pelo chefe dos empregos.
Nunca lambeste a futilidade nem nunca nadaste nos rendimentos mínimos. Nunca foste um parasita. Mas o dia depois de amanhã traz, por vezes, uma tempestade de espectáculos anedóticos e impensáveis a um ser praticamente colhido pelos anjos.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Evidência


Sente-se o frio da idade na nuca grisalha, desgrenhada pelo tempo.

Amanhã


coloco um pensamento no ecrá do computador, "escrevo como se não houvesse amanhã", e penso.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sugestão para o Arejo


David Fonseca

concerto


Data: 27-02-2010
Horário: 22h00
Local: Teatro Municipal de Vila do Conde

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ler


Simplesmente genial, de um autor de eleição.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Luto


Rosa Lobato Faria morreu ontem, vestida com um cancro horrendo. O país fica mais pobre e o meu coração também.
Levanto-me, depois destas palavras, e choro um rio de saudade.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Dinheiro Não Cresce


As notas não crescem e não se podem rasgar a meio. E o presente está em crise. Muita crise. Mas as ruas estão lotadas de pessoas com sacos nas mãos, carregadas de compras e de sorrisos cobertos de chocolate.
Só de pensar, já estou confuso…

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Quero Ver o Que Não Vejo


Estou sentado numa cadeira trivial, de muito mau gosto. Á minha frente, uma mesa simples, demasiado simples. Mimado pelo desejo de superioridade, uma chávena requintada olha-me dali, recalcando o dorso da pobre mesa.
O barulho no café é sufocante e o fumo do tabaco navega na incerteza do trajecto a percorrer. Existem muitos factores externos que o prendem à contínua insegurança. Ao fundo, uma parede despida pelo carinho da bijutaria.
Tiro-lhe as dimensões, pelo olhar clínico trabalhado ao longo de anos, penso nos materiais que a construíram e fico insatisfeito. Quero mais: quero sentir a verdade do compartimento invisível; quero ter a capacidade de olhar para o mundo que não vejo e vê-lo, como se ainda te visse a beijar-me numa cama coberta de amor.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sugestão para o Arejo


Teresa Cardoso de Menezes Soprano

António Rosado Piano

26 de Fevereiro, Sexta-feira, 21h30,

.Entrada: 8 euros

Duração: 70 m


Neste concerto a soprano Teresa Cardoso de Menezes actuará ao lado de um dos grandes pianistas portugueses da actualidade, António Rosado, apresentando em duo Canções de Victor Hugo e Os Sonetos de Petrarca, e a Piano Solo obras dos Années de Pèlerinage, num programa inteiramente dedicado a Liszt, onde o virtuosismo pianístico e o lirismo vocal, darão uma dimensão particularmente especial, do que foi o génio deste compositor.”

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Teu Cheiro


O quarto está escuro, como se a noite dos fantasmas controlassem constantemente a atmosfera que envolve os meus gestos, porque existe um fio de luz do candeeiro que escorre para o livro que seguro com a mão, junto ao meu regaço. Ao pé, uma pequena credencia centenária está banhada por sombras fortes, adulterando-lhe as formas torneadas. Mas, mesmo assim, ainda é possível deslumbrar-se o pano cheio de rendas que mima o tampo. Por cima do pano, o telefone. E dele, silêncio como o teu; como o teu silêncio imaculado e persistente.
Abandono o livro para um canto do chão e levanto-me. Dou meia dúzia de passos e fico defronte para a noite. E ali estás, a passear no quarto de uma estrela, toda sorridente. Acompanho-te na tua felicidade, com as mãos entregues aos bolsos da calça, agarrando a tua fotografia.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Choro


Deixo descair com as lembranças um rio de reminiscências para o lençol de flanela, porque os teus olhos estão distantes.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Que Fazer?


O Rui, uma personagem arrancada ao desbarato numa livraria, perdeu o mundo, assim que o acelerador foi pressionado pela pressa. O encontro com a luz do contrato avantajado não podia esperar. Há muitos abutres que o podiam desviar para os seus estômagos. Havia que ter prudência.
Mas prudência foi coisa que ele não teve, naquela estrada vergonhosa. E o sonho, por isso, acabou em cima de uma cama do hospital, completamente coberto por pedaços de morte. Nunca mais iria mexer-se ou respirar sem a ajuda de uma máquina complexa.
O que acham: desliga-se ou não se desliga o aparelho?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A Mentira


Sinto que as verdades fogem das mãos humanas, por entre palavras escarradas.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sugestão para o Arejo


CONCERTOS PROMENADE Concerto Aranjuez para Guitarra e Orquestra de Rodrigo

Música Clássica/Ópera


O Concerto de Aranjuez representa, na verdade, a vitória do espírito sobre o corpo. Interpretado pela primeira vez em 1940, em Madrid, pelo violonista Regino Sains de La Manza, o Concerto fora composto no ano anterior, após a Guerra Civil, quando Rodrigo retornara de Paris. O título confirma o afinco do compositor às ideias de um nacionalismo espanhol. A estreia desta obra, repleta de temas populares da Andaluzia, surpreendeu todos porque nunca antes ninguém ousara utilizar a guitarra como instrumento solista. A obra, segundo o próprio compositor, é uma visita "aos tempos passados, à beleza dos jardins de Aranjuez, as suas fontes, árvores e pássaros", e representou um dos grandes impulsos que levaram a guitarra, frequentemente considerada um instrumento "folclórico", de volta à cena musical.


24 de Janeiro de 2010 _ 11h30 _ Coliseu do Porto

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A Febre do F.


Ontem houve um terramoto no meu prédio, embrulhado em gritos de galinhas em fuga.
Pelos vistos, soube há pouco, o F.C.Porto tirou a ferros uma vitória. Hum…agora percebo.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Verdade Verdadinha


Não sei precisar mas não me enganarei por muito, mesmo sabendo que a minha velhice me consome aos poucos a memória, se dizer que há meia dúzia de anos um amigo, das minhas infâncias, trabalhou num episódio florido de uma novela, nuns “fantásticos” segundos. Com uma personagem excêntrica – quer na forma de vestir quer no consumo de heroína.
Meses depois, porque estas coisas são mesmo assim, entrou nas nossas casas as cenas, pela caixinha de surpresas. Eu fiz o favor, a mim, de não as ver; os meus pais viram, claro, e relataram-me depois a sua boa prestação. Fiquei naturalmente feliz.
Ao outro dia, a meio da tarde, encontramo-nos no café do costume. Não estava com boa cara. “Então pá, parabéns…”, “Parabéns uma ova. Esta malta!”, interrompeu-me brutalmente. “O que te aconteceu?”, “Não é que ontem à noite, uns vizinhos foram sussurrar aos meus pais que me drogava. E que até deu na televisão!” Arregalei os olhos com esta beleza!!!!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

E as Novelas…


Acendo o televisor, através de um comando cheio de botõezinhos de várias cores, com funções que desconheço, e uma luz surge vivamente no seu centro. Que, como numa fugida fugaz, preencho o negrume rectangular, iluminando o meu quarto. Dali, aparecem duas personagens, opostas quanto ao sexo, a falar de amor, com o horizonte pintado pelo mar azul, que se confunde com o céu imaculado. Mudo de canal e volto a mudar e este cenário permanece no ecrã, como se eu estivesse a sonhar contigo constantemente, sem me aperceber que tinha adormecido.
Viro-me e, do relógio eléctrico, quatro zeros vermelhos, muito carregados, indicam-me uma hora incómoda para estes sentimentos tão mastigados. A minha paciência já não é a mesma e, por isso, desligo o vírus. E, na escuridão completa, entristeço-me por não sentir um sorriso de um filme.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Prelúdio ao Enfado


Hoje olhei para o bilhete de identidade e arregalei os olhos quando descobri a minha idade. “Ainda és um jovem”, dirão muitos. E isso é verdade, é um facto incontornável, mas o problema é que a minha memória já não tem espaço para colocar as novas pastas, que surgem a cada minuto. E também não consigo apagar algumas, porque estão muito agarradas ao coração…Não sei o que fazer.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Um Dia Diferente


Hoje sinto um sorriso especial: FAÇO ANOS

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Romance que escrevo e que ainda não tem título - parte IV


(Continuação)

apressadamente, aproveitando os últimos segundos da prioridade escondida, para voarem a um limite desconhecido, e os animais citadinos, essa casta domesticada, alheios, de pescoço inclinado, direccionam o olhar para o chão e procuram migalhas, partículas, fragmentos vitais para a sobrevivência, e tudo está alheio, preso, excessivamente preso, amarrados aos movimentos sistemáticos do quotidiano, como se tivessem atados a um sufoco eterno, como se tivessem intimamente ligados a um caminho fúnebre e recto, e tudo está alheio, pensativo, organizando ideias, estratégias, trilhos, com intuito de se aproximarem das metas previamente estipuladas, e tudo está alheio, assim, às metamorfoses ocorridas na cidade pelos tentáculos eruditos do sol, que pintam-na assombrosamente com cores fortes, intensas, belas, e tudo está alheio a este quadro, a esta paisagem deslumbrante, mas que me faz brilhar os olhos, que me faz sorrir e pensar que as pequenas insignificâncias, mesmo demorando um suspiro, são a essência da felicidade. Tudo está alheio ao mel dos nadas, tudo está alheio, mas eu nunca estou. Os motivos, para o facto, poderão ser diversos se esmiuçássemos o assunto, mas, epidermicamente, a causa está inserida no prazer do momento, na necessidade de sentir constantemente o aconchego da diferença, a um qualquer pormenor, a uma qualquer mesquinhez do quotidiano, a causa encontra-se na novidade, escondida nas profundezas das trevas, da descoberta esplendorosa de um nova forma de ver o ritual desse detalhe, a causa surge na inovação, palavra que transpira incertezas e que me prende ao gozo da descoberta, a causa está neste abraço simples e eterno do distante, a causa surge na distância entre a utopia e o seu desaparecimento. E tudo está alheio.
Assim que me desprendo do momento, vivido infelizmente num trago, numa rapidez desmedida e fugaz, volto a colocar a máscara moribunda no rosto, salientando as dificuldades dos anos, e obrigo-me a arrastar pelas ruas ortogonais, pavimentadas com materiais gastos por incontáveis recordações, como uma memória cheia de doutrinas, baseada em convicções, que cimentam a eloquência e a identidade do povo – esses adjectivos tão mimados e tão protegidos pelas vozes de defesa. E arrasto-me, arrasto-me lentamente pelos corredores infinitos pintados com cores vivas, frescas, saudáveis, cores de primavera, e arrasto-me pelos corredores rejuvenescidos de fauna e flora, e arrasto-me pelos corredores resplandecentes, normalmente anormais no resto do ano, e arrasto-me, arrasto-me até ao término de um corredor, apenas um, o tal que faz a ponte entre o construído e o selvagem, entre o inferno e o inimaginável, onde o limite é o impensável. E arrasto-me até aos braços da sucessão de curvas em declive, salpicadas por majestosas árvores, de cores e silhuetas diversas, e de sumptuosas flores, trespassadas por percursos em pedra tosca, que cruzam-se, aqui e ali, por mirantes, por pequenas praças de repouso, direccionados para uma lasca, uma pequena parte da cidade mais a poente, que está inundada por recortes, provocados pelos arranha-céus, ladeados por um singelo rio à deriva, e arrasto-me até ao silêncio imaculado do maravilhoso jardim.

(Continuação)

Sujeito a Mudança

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Um Novo Rumo


A geração mais escolarizada de sempre está a dormir em camas demasiado recheadas de cobertores ou a apanhar sol, numa praia bem distante deste país. Bem, aqueles que estão, porque há sempre quem procure outras formas para sobreviver. E esses talvez correspondam à maioria dos efectivos destacados.
Ou seja, o amor a uma causa, criada assim que a faculdade se aproxima, é desvinculado quando o sujeito que amamos nos diz que o nosso rumo terá que seguir uma outra coisa, independentemente se estamos preparados ou não para abdicar do casamento marcado.
Choramos no regaço dos pais, pelo facto e pelo impacto da voz insensível, que foi programa para fazer dor a tudo custo. Criamos raiva e anticorpos contra o mundo. E fazemo-nos adultos, com os braços abertos a algo que nunca gostamos.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Os Odores Tóxicos


Os velhos são uma mercadoria intransportável, já que a matéria-prima que os constrói tem demasiados odores tóxicos. Por isso, não é de estranhar que se suicidem aos magotes, nomeadamente no inverso e no verão, com a família a assistir de longe, sentada em poltronas de luxo!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Ler


O nome de João Tordo era-me completamente estranho. Não me dizia nada. Contudo, como é normal, a atribuição do Prémio José Saramago, em Penafiel, ao qual estive presente, tirou-me das trevas da ignorância.
Admito que o olhei de soslaio, quando muito envergonhado, muito nervoso, borrifou algumas palavras soltas para o micro – numa mistela exagerada. Embora, na altura, o compreenderia: não é fácil ser o centro das atenções.
Cheguei a casa, fiz as minhas pesquisas e fiz as minhas compras. E eis o Hotel Memória devorado. Não o mastiguei, é certo, mas quase, uma vez que me senti bastante tentado. O mistério, com pitadas de “aventura nos meandros da condição humana”, tem destas travessuras.
Recomendo vivamente.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Teatro Campo Alegre


A sessão "BOMBA" marca o regresso do poeta e romancista valter hugo mãe às "Quintas de Leitura" promovidas pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Ciência e Desenvolvimento. Será a sua 6ª presença neste ciclo poético, num espectáculo a realizar dia 28 de Janeiro de 2010, às 22h00, no Auditório do TCA.
"Bomba" é uma narrativa poética, inédita, de valter hugo mãe, escrita em jeito de homenagem a Mário Cesariny. A leitura dos 12 textos que compõem a obra será assegurada pelo próprio autor, que se fará acompanhar por Adolfo Luxúria Canibal, Isaque Ferreira, Rui Spranger e Sandra Salomé. A convidada especial Ianina Khomelik, violinista russa, também intervirá neste momento.
O jovem fotógrafo Nelson D' Aires, prémio revelação FNAC em 2006, dá imagem à sessão.
O sempre esperado momento de dança será, desta feita, afirmado por dois elementos da companhia "Bomba Suicida". Tânia Carvalho e Luís Guerra apresentarão a peça "URRA! ARRE!" (versão Boca de Cena), numa ousada coreografia de Luís Guerra.
Fica para o fim um dos momentos mágicos da sessão - estreia nas "Quintas de Leitura" do trio lisboeta TIGRALA formado por Norberto Lobo (um dos mais promissores e celebrados guitarristas portugueses da nova geração), Guilherme Canhão (guitarrista dos Lobster) e Ian Carlos Mendonza (percussionista mexicano).
Oriundos de universos musicais que poucos achariam compatíveis, os TIGRALA apresentam-se em formato acústico, com Norberto Lobo a trocar a guitarra pela tambura, Guilherme Canhão a desligar a sua guitarra da corrente e Ian Carlos Mendonza a esticar criativa e melodicamente o conceito de percussão.


Espectáculo para maiores de 18 anos.
Bilhetes a 9,00 e 6,00 Euros.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Palavras com Memórias - #001


Não havia domingo, depois do almoço, que não nos juntássemos ao pé do posto da guarda de Lordelo, como se os nossos corpos necessitassem desta tradição para adquirirem a plena felicidade domingueira. Exceptuando, naturalmente, nos dias de chuva e de vento forte. Que nos obrigaria, pois, a permanecer por casa, com os rostos calados e colados ao vidro de uma janela, envoltos em palavras classificadas por uma rodinha vermelha, até que a noite e o sono nos retirassem do desastre do dia.
Daí, todos juntos, calcorreamos o caminho instável, a bom ritmo, por entre brincadeiras próprias da idade – como o jogo das matrículas, por exemplo, que consistia em contabilizar o número de vezes que acertávamos com um número que previamente tínhamos escolhido – sem nos preocuparmos com os perigos eminentes entre o peão descuidado e os automóveis loucos pela velocidade. Felizmente nunca houve um mínimo arranhão nem um susto incómodo a registar.
Uma hora, uma hora e meia depois, talvez por aí, estávamos dentro de Paços de Ferreira, a borrifar sorrisos a cada esquina e a encher os pulmões do néctar mais genuíno que o planeta nos podia oferecer. Com as palavras presas no fascínio, na luz, nas pessoas, eu sei lá o que mais, desta cidade que nos acolhia de forma ímpar, pelo menos para nós.
E o gesto era bem simples, demasiado simples, quase uma insignificância, como se um nada bastasse para atingirmos o auge da alegria; e o gesto era tão simples como o de abrir as portas das ruas, das praças e, claro, dos bolos recheados a algo. Que bruscamente devorávamos até à última migalha, sob o olhar atento e interrogador dos clientes e funcionários. Depois, com os pratos vazios, limpos, encostávamos as costas nas cadeiras e fechávamos os olhos para saborear o alimento no estômago, por largos períodos. Hoje ainda sinto essa satisfação.
Por fim, o regresso. Essa chatice inevitável; esse castrador de felicidade. Mas o relógio não estrangulava os ponteiros e o dia não bloqueava a noite, e os nossos pais não perdoavam um atraso.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O Futuro


E tudo voltou ao normal, como se as nossas verdades tivessem tirado apenas umas férias de dias, a fim de comemorar em família, numa aldeia estranha, as desgraças que se avizinham. Numa grande cavaqueira, regada por um magnifico champanhe.
O problema será de perceber se as nossas forças, muito desgastadas, aguentarão os futuros problemas.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ideia Louca


Sinto-me coberto por uma película de pó. Que provavelmente é semelhante à película que envolve os móveis velhos…

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mensagem


"...o sexo corresponde a uma destruição da imagem ideal que nós fazemos do objecto da paixão..."

Nuno Júdice



"Queremos o nosso dinheiro, queremos o nosso dinheiro..." Que estranho!!!Não é só ir ao banco e levantá-lo?

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Nada Se Alterará


A noite é como o dia, para quem deambula nas ruas da cidade, apinhadas de objectos com preços. E a culpa desta verdade é dos efeitos natalícios que colocaram em toda a parte. Talvez o efeito da crise assim o obrigue, como num acto desesperado para atrair clientes, ou talvez seja para alegrar apenas os rostos taciturnos dos transeuntes, que vivem sob lençóis inundados por largos buracos velhos.
A noite é como a noite quando abro a janela do meu quarto. Mas, com o nariz no gelo deste ar mortífero, em baixo, a luz é demasiada intensa para a sobrevivência das sombras. Sorrio pela metáfora que me surge no interior do rosto, que se relaciona comigo, quando vislumbro que elas estão mortas.
Fecho a janela e penetro no silêncio do quarto. Ligo a televisão, num gesto simples a um comando preto, muito negro. Atiro-o para a cama, coberta por um desleixo de semanas. E sinto-me automaticamente vazio, com nenhuma esperança de impor o meu raciocínio: porque tu impões um canal que não o quero. Como se não te importasses que o meu sonho comece a procurar uma outra verdade para a minha alma em sofrimento.
Adormeço subitamente, mesmo a tempo de comemorar a passagem de ano numa viagem imprópria para o meu bolso. E deixo-me ficar assim na hibridez profunda, durante longos minutos, quase eternos, com a luz do candeeiro a borrifar-me uma parte do corpo.
No ano seguinte, com a luz do candeeiro fundida, acordo para o presente. Da televisão surgem palavras de felicidade, envolvidas com muita gargalhada, captam a minha atenção. O me obriga a deslizar a minha visão para duas personagens desconhecidas, que esbracejam artificialmente dentro do rectângulo preto. Observo-os com atenção, seguindo-os como se estivesse a filmá-los. Mas mais nada sinto do que cenários incoerentes com a nossa realidade. Porque, na verdade, nada se alterará, nada seguirá um novo rumo, apenas com a magia de um ano diferente.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Bom Natal



A felicidade exige valentia

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela
vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para
ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
Fernando Pessoa
Vou entrar de férias. Voltarei depois do Natal.
Até lá malta.
BOM NATAL A TODOS. Lembrem-se, a vida é feita de sorrisos...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Aproveite O Natal


É noite e está bastante frio, como tem sido apanágio de há uns tempos para cá. Preciso de algo quente: o meu corpo é um retalho de fúria pela rouquidão das trevas vindas do norte. Entro num café e abasteço-me de líquidos castanhos bem quentes. Transformo-me logo a seguir num corpo a deambular pelo deserto, sem rumo definido e sem esperança de sobreviver. Por fim o meu olho ganha vivacidade de outrora e a realidade das imagens são mais sentidas, mais estudadas. Fico completo na verdade.
Não muito longe da minha mesa, uma mesa carregada com quatro pessoas, de ambos os sexos. Parece uma reunião familiar intensa, exposta aos ouvidos públicos, já que as lágrimas, como gotas de ódio, desaparecem do seu corpo para o tampo de vidro demasiado gasto. Entristeço-me pelo gesto simples da pessoa, porque não consigo associar-me às bicadas deste flagelo, e porque penso que não há tempo para a desperdiçá-la nestas travessuras. Mas, a meio da tristeza, tive felizmente que a engolir com um trago feliz de um sorriso: os meus olhos são testemunhas daqueles amáveis abraços entre eles. Pelos vistos, as palavras ainda são usadas para a felicidade.
Neste Natal pense em usá-las; conquiste a verdadeira essência da vida, fazendo surgir esta mesa na sua sala.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Sugestão para o Arejo


“CONTOS EM VIAGEM - BRASIL, outras rotas”

Brasil, território imenso e grandioso, feito de paisagens plurais, múltiplas especificidades e uma magnificente produção literária.Desenhámos uma rota prévia, escolhendo viajar através de lugares que têm mais perto ou mais longe o Rio S. Francisco ou, como popularmente é chamado, o Velho Chico. Este Rio atravessa cinco Estados - Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe - e foi da produção literária dos autores que nasceram nestes lugares, que organizámos a Outra Viagem: a das palavras.Nessa viagem pelos textos, o pressuposto é sempre sermos levados pela poética das estórias, da geografia dos lugares, pelas diferentes tipologias da sua gente, por diferentes sensibilidades, permitindo que cada espectador redesenhe a sua própria viagem, num encontro com paisagens desconhecidas que possam ser reconfiguradas na sua rede de símbolos, actualizando-as no lugar e no tempo de cada um.Uma actriz e um músico serão os nossos guias. Através do corpo, da voz, da ambiência sonora e de signos cénicos tão abstractos como abertos, seremos conduzidos do rio ao morro, do morro ao lugarejo, onde encontraremos personagens e lugares que habitam o outro lado do Atlântico, com quem partilhamos tantos afectos e o património comum que é o de falarmos a Língua Portuguesa.

29 de Janeiro, Sexta-feira, 21h30.
Entrada: 8 euros
M/6Duração: 70 m
Casa das Artes-Vila Nova de Famalicão

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O Frio


Já ninguém suporta o frio sem o adereço de marca.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Valeta De Cimento


Uma paisagem elegantemente emoldurada por talha dourada. Eu gosto, tu não gostas, Ficamos sem jeito, desconcertados, pela pouca união que nos une. Uma viagem para fugir ao quotidiano louco e repetitivo. Eu quero um País, tu queres outro. Acabamos por ficar em casa, em frente ao televisor, com o aborrecimento estampado no rosto e na voz. E sucessivamente, e sucessivamente, até ao infinito dos nãos somados pelas vontades. Porém a palavra interminável finda, para espanto dos que ainda acreditam no futuro, dos que ainda pensam que o céu está coberto por rosas vermelhas, como se o sol e a noite não possam ser substituídos por algo diabolicamente insuspeito.
O modernismo avança por cima dos cadáveres ressequidos pelo desgosto, pela mágoa do adeus sem volta, na indiferença obsessiva do fútil social. A uma velocidade que os fracos de espírito ou os camaleões com falhas técnicas não suportam. E acabam por desesperar e por morrer desconexos no meio humano, numa valeta de cimento.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A Mentira


Pressinto uma dificuldade nos teus lábios, nos teus gestos e nos teus medos de errar a pergunta que te fiz. Pressinto uma eloquência camuflada de me compreender as minhas humildes opiniões. E sorrio pela tua timidez envergonhada de me contar o teu gelo de saber, de me contar a tua verdade – que eu ao longe pressinto o cheiro enfurecido –, naturalmente fechado numa fraca especulação. Mas, como num sopro de coração que surge sem avisar ou sem ser devidamente autorizado, a indefinição move-se para a minha verdade, formulada por premissas intermitentes escarradas da tua voz esverdeada, como se um adolescente morasse nessa casa, depois da presença das tuas palavras ribombar na sala dos espelhos. Fico irritado pela certeza, enfurecido e estremeço pela mentira vociferada gratuitamente, assim, mesmo a quem te acolhe de coração aberto, mesmo a quem chora pelo teu desgosto, pela desilusão de um não seco pregado por alguém verdadeiro.
E penso que o mundo esconde as verdadeiras cicatrizes numa mentira.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Romance que escrevo e que ainda não tem título - parte III


(Continuação)


impacto do vento, desaparece agilmente sem deixar rasto. “Este menino”, deixo descair as palavras, a tempo de evitar a imperceptibilidade da minha voz, dado que me é inevitável esticar o esqueleto e o rosto neste momento. Atitude que não controlamos e que aparecem assim do vazio sem aviso, sem serem programados: são momentos certos mas inevitavelmente incertos. Incertos, são também, os movimentos executados agora pelo meu corpo, através de deslocações anárquicas dos membros, desenhando na atmosfera uma comédia profunda, sob o olhar desdenhoso e irónico do meu companheiro. E, este desequilíbrio desgrenhado, cessa, pouco depois, com uma das mãos a pousar violentamente nos líquidos pegajosos. Suspiro desconsolado, rugindo umas palavras incultas, ao mesmo tempo que um sorriso suave eleva-se no ar. “Olha o tratante”, cuspo-lhe com uma almofada.
Ergo-me um pouco, a custo, e deixo descair suavemente os olhos para algo imprevisível. Durante a viagem, surge o relógio, ali, solto, a flutuar na escuridão, longe do sustentáculo que o amarra à realidade, exibindo um borrão vermelho acolhedor. Fixo-lhe a retina e suavizo, com esforço, o meu olhar pardacento. Pouco a pouco, em simetria, no acto puro de emoção, descortino devagar os algarismos que deslizam ininterruptamente dentro da caixinha preta. Arregalo as pálpebras quando os conjugo e, com um pulo, levanto-me jovialmente. Visto-me e atiro-me para o sol. Na rua, dentro do fiapo espacial da cidade, vejo-o resplendoroso, vivo, jorrando claridade intensa e infinita, e os transeuntes, alheios, ocupados com o inferno dos pequenos rectângulos nos ouvidos, de cores e formas diversas, a discutirem, a articularem palavras sem selecção, gesticulando com esforço uma verdade que recordam possuir e param exaustos, suando, bufando, ao pé do sinal que os obriga a parar, defronte a umas riscas brancas, e os automobilistas, alheios, ainda mais alheios, absorvidos na condução das peças mecânicas, inundadas de electrónica, deslizam-nas


(continuação)

Sujeito a Mudança

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Sugestão para o Arejo


Investigar a Ciência Na Cozinha

Investigar a ciência na cozinha, é o que se propõe neste programa, através da confecção de algumas receitas. Esta actividade é dirigida a crianças e jovens dos 8 aos 12 anos. Agendado para os últimos Sábados de cada mês, em Dezembro, realizar-se-á no dia 26, entre as 11 e as 12 horas.Aparece, pois irás desvendar alguns dos segredos culinários dos grandes chefes. Em Dezembro, será confeccionado arroz doce, sobremesa bem típica desta época.


Data: 26-12-2009
Horário: 11h às 12h
Local: Centro de Ciência Viva - Vila do Conde

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O Aconchego Da Luz


Afinal ainda sinto a felicidade a escorrer-me pelos lábios e a sujar-me a barba meio desgrenhada, meio esbranquiçada pela idade que me come, que me devora até às entranhas. E eu sorrio pelo seu atrevimento, pelo desrespeito à minha vontade, ao mesmo tempo que desato num choro adolescente, muito imaculado, muito agarrado à infantilidade, pelo musgo que a minha voz vai possuindo. Afinal nem tudo está perdido, nem tudo é uma ilusão, um abismo, uma morte prematura, nem tudo me agarra para o véu da cegueira eterna. Afinal ainda consigo sorrir, abraçar a felicidade. Afinal ainda encontro portas, que depois de abertas, dentro dos compartimentos, luzes de esperanças a novos respiros me beijam a pele áspera. E eu volto a viver.
E tu, já encontraste a tua luz?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Um Escarro Para o Nada


A vida é feita de palavras. O problema é usá-las com maturidade.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Sugestão para o Arejo


CICLO INFANTIL ALICE VIEIRA

A Livraria Almedina, em comemoração dos 30 anos de livros de Alice Vieira, convida os mais pequenos a assistir a uma sessão de contos da escritora, por Clara Haddad.

Almedina Arrábida Shopping, 05 de Dezembro 2009, às 11h 00m

Usem As Palavras


Palavras, que ficam enterradas no coração, não servem de sustento às ideias. É uma verdade comprovada pelo abandono das costas amigas ou de quem nos pertence ao coração, ou talvez mais. E isto custa aceitar, custa compreender a desilusão conquistada com pouco esforço. Mas nada serve o abraço do ódio ou o sabor amargo da derrota se numa próxima bola, numa próxima pressão exagerada pelo momento de um problema, elas não saiam do sofá aconchegante e não voam para dentro do ouvido mais próximo. Que no deslizamento rápido pela garganta profunda do hospedeiro, embatem com o seu significado no coração afeiçoado às mentiras, por falsas lógicas, como uma bomba, como luzes cobertas de verdade.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Rescaldo


Tudo acabou na paz dos anjos e no silêncio das vozes. Embora o susto ainda esteja vivo na memória e os gritos a ecoarem na caixa que orienta. Tudo não passou de um grande susto.

Obrigado pela preocupação amigos. Estou bem, assim como todos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Susto


Hoje acordei com gritos agudos e assustadores no prédio. Que me arranharam os ouvidos e me tiraram do teu sonho. Levantei-me, com o cabelo deveras desgrenhado, e senti fumo, muito fumo: o meu prédio ardia.